PF investiga Ciro Nogueira por suposta mesada e benefícios de luxo pagos por banqueiro

A Operação Compliance Zero aponta que o senador teria recebido até R$ 500 mil mensais para favorecer interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

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Cirino

07/05/2026 15:13 · Atualizado em 07/05/2026 15:13 · 3 min

Ciro Nogueira em entrevista

O senador Ciro Nogueira, atual presidente do Progressistas (PP), tornou-se o alvo principal da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7).

A Polícia Federal (PF) afirma ter encontrado fortes indícios de que o parlamentar recebia pagamentos mensais irregulares do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

De acordo com os investigadores, esses repasses variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais. Além do dinheiro vivo, o ex-ministro da Casa Civil teria desfrutado de uma rotina de alto padrão financiada pelo banqueiro, incluindo viagens internacionais, hospedagens de luxo e jantares em restaurantes caros.

Favores legislativos e a Emenda Master

A PF sustenta que, em troca das vantagens financeiras, o senador atuava para defender os interesses da instituição financeira no Legislativo. Um dos pontos centrais da investigação é a Emenda nº 11, apresentada por Nogueira à PEC 65 em agosto de 2024, que ficou conhecida nos bastidores como Emenda Master.

O texto propunha ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo a investigação, a proposta foi redigida por assessores do próprio banco e entregue na residência do senador para ser formalizada no Congresso.

Mensagens interceptadas pela polícia sugerem que o banqueiro comemorou o fato de o texto ter sido apresentado exatamente como ele desejava. Interlocutores indicaram que a mudança tinha potencial para multiplicar os negócios da instituição e gerar um impacto significativo no mercado financeiro.

Investimento sob suspeita e decisões do STF

Outro ponto analisado envolve a Green Investimentos S.A. A PF aponta que o senador adquiriu participação na empresa por R$ 1 milhão, embora o valor de mercado fosse de R$ 13 milhões. A transação teria ocorrido por meio da CNLF Empreendimentos, gerida pelo irmão do parlamentar, Silva Nogueira Lima.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, destacou que as provas incluem comprovantes bancários, registros de viagens e mensagens eletrônicas. Para o magistrado, os elementos indicam um arranjo orientado para benefícios mútuos que extrapola relações de amizade.

Diante dos fatos, o STF proibiu Ciro Nogueira de manter contato com outros investigados ou testemunhas. O ministro também determinou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema, e impôs o uso de tornozeleira eletrônica ao irmão do senador.

Posicionamento da defesa

Em nota oficial, a defesa de Ciro Nogueira negou qualquer prática ilícita e criticou a investigação. Os advogados afirmaram que a atuação parlamentar foi legítima e que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos técnicos sobre os fatos.

A nota ainda pondera que medidas invasivas baseadas em trocas de mensagens de terceiros podem ser precipitadas e devem passar por um controle rigoroso de legalidade. O caso segue em tramitação no STF e os próximos passos dependem da análise detalhada do material apreendido pela Polícia Federal.

Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-05/mesada-e-viagens-internacionais-veja-o-que-pf-diz-sobre-ciro-nogueira

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