Bolsonaro aciona STF com pedido de revisão criminal para anular condenação de 27 anos

Advogados alegam erro judiciário e contestam validade de delação e rito processual em condenação por tentativa de golpe.

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Cirino

08/05/2026 23:09 · Atualizado em 08/05/2026 23:10 · 3 min

Bolsonaro de perfil em quintal da residencia

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira (8) um pedido de revisão criminal no Supremo Tribunal Federal (STF).

O objetivo central da medida é anular a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão imposta ao ex-mandatário no processo que investiga uma suposta trama golpista para impedir a posse do atual governo.

Os advogados argumentam que o caso apresenta um quadro de erro judiciário em sua forma mais grave.

Segundo a petição enviada à Corte, o processo deveria ser reavaliado para corrigir equívocos que, na visão da defesa, comprometeram o direito de resposta e a justiça da decisão tomada pela Primeira Turma no ano passado.

Questionamentos sobre o rito e provas

Um dos pontos centrais do recurso é o questionamento sobre quem deveria ter julgado o caso.

A defesa sustenta que, pela condição de ex-presidente, Bolsonaro deveria ter sido julgado pelo plenário do STF, composto pelos 11 ministros, e não pela Primeira Turma, que o condenou com votos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

Além disso, os advogados pedem a anulação da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Eles alegam que o depoimento não foi voluntário.

Outro ponto citado é a suposta falta de acesso integral a todas as provas produzidas durante a investigação, o que teria prejudicado o exercício da ampla defesa.

No mérito da questão, o texto afirma que não há provas concretas da participação direta de Bolsonaro nos atos de 8 de janeiro de 2023 ou na liderança de um plano estruturado para um golpe de Estado.

A defesa reforça que não existem ordens ou orientações do ex-presidente que o conectem aos eventos de vandalismo em Brasília.

Próximos passos na Segunda Turma

Seguindo o regimento interno do Supremo Tribunal Federal, o pedido de revisão criminal não será analisado pelos mesmos ministros que proferiram a condenação.

O caso deve ser encaminhado para a Segunda Turma da Corte, colegiado que inclui os ministros André Mendonça, Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.

Vale lembrar que Luiz Fux passou a integrar a Segunda Turma após ter votado pela absolvição de Bolsonaro durante o julgamento original.

Já André Mendonça e Nunes Marques foram indicados ao cargo pelo próprio ex-presidente durante o seu mandato.

Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre a pena em regime de prisão domiciliar por razões de saúde.

A condenação original abrange cinco crimes principais, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

O STF ainda não definiu a data para o início da análise deste novo recurso.

Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-05/bolsonaro-entra-com-revisao-criminal-no-stf-para-anular-condenacao

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